SÃO PAULO - Um editorial publicado no jornal norte-americano "The New York
Times" na quinta-feira, 20, intitulado "Despertar social no Brasil", afirma que
os protestos que se espalham pelo País não deveriam causar surpresa. Segundo o
texto, apesar de o Brasil ter conquistado muitas realizações nas últimas
décadas, como uma economia mais forte e eleições democráticas, "ainda há uma
grande distância entre as promessas dos governantes políticos de esquerda e as
duras realidades do dia a dia fora da elite política e empresarial".
O editorial ressalta que o Banco Mundial lista o Brasil como a sétima maior
economia do mundo, mas que o País tem uma das piores classificações em rankings
de igualdade de renda e de habilidades de leitura e matemática. Além disso,
menciona que seus principais políticos foram flagrados em esquemas de desvios de
dinheiro público.
"Não é de se admirar que a taxa de transporte público aumente a indignação
das classes pobre e média, que estão sobrecarregadas por um sistema tributário
regressivo", afirma o texto. "Não é de se admirar que os gastos esbanjados em
estádios de futebol para a Copa do Mundo, enquanto a educação pública continua
gravemente subfinanciada, tornaram-se um grito de guerra."
O editorial destaca que a presidente Dilma Rousseff tem tentado responder aos
manifestantes, declarando que o desejo de mudança é bem-vindo, e que alguns
governantes reverteram o aumento das passagens.
"A maioria silenciosa do Brasil parece estar encontrando sua voz política",
finaliza o texto. "Srta. Rousseff, que concorre à reeleição no próximo ano, terá
que enfrentar novas demandas com conteúdo, bem como simpatia."